28 de setembro de 2011

Bem Maior

Eu sofria em excesso, chorava desolada, descabelava-me a cada decepção, sentia-me angustiada e ficava inconformada.

Esperava demais das pessoas, das situações e de mim mesma. Acreditava no amor perfeito, na sinceridade alheia e na felicidade plena, a despeito de qualquer problema.  

Com o passar do tempo, fui aprendendo que não vivo num mundo de faz-de-conta e que esperando menos, decepciono-me menos, doo menos.

E é apanhando da vida, que a surra dói cada vez menos. Vamos ficando calejados, sem vergonhas até, eu diria.

Peço a Deus que não permita que eu me torne insensível, fria, indiferente. Quero continuar amando, observando, admirando e emocionando-me. Quero as lágrimas em minha face, mas chega de chorar por aquilo que não devo, de chorar por coisas que não foram porque simplesmente N Ã O T I N H A M Q U E S E R.

Hoje, quando meu peito aperta, respiro fundo. Deixo algumas lágrimas cairem - aquelas mais pesadas, impossíveis de serem contidas - e engulo as menores. Tento enxergar além do que os meus olhos humanos e falhos conseguem ver. E repito incessantemente para mim mesma, como que para fixar: sou maior, sou maior, sou maior que ela. Sou muito maior que a dor.

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